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Coisas normais em uma sessão de análise e terapia

  • Foto do escritor: Eduarda Paz
    Eduarda Paz
  • 21 de jul.
  • 4 min de leitura

Quando contamos uma história a alguém, dificilmente começamos do começo, paramos no meio, esquecemos do fim... tudo isso faz parte do processo, então elenquei algumas coisas normais de acontecer em uma sessão de análise ou de terapia, e que caso aconteçam numa sessão comigo você não tem absolutamente nada com o que se preocupar!


paciente deitado ao divã de psicanalista, a cabeça do paciente é uma nuvem com fios emaranhamos representando seu discurso

Uma das coisas que inibe os pacientes logo nas primeiras sessões é o receio de fazer algo que "não pode" ou que seria estranho na sessão com uma psicanalista (psi, para os íntimos), e só quem já se colocou nessa posição de tentar contar a própria história de vida a uma desconhecida sabe que não é das situações mais intuitivas que existem. Pra deixar vocês tranquilas, aqui estão algumas coisas normais de acontecerem:


  1. Chorar

Expressar emoções é algo importante e muito comum, mesmo naqueles primeiros momentos com uma psi nova pode acontecer da emoção te invadir - pode deixar que ela venha! Choro, riso, raiva, tristeza, indignação, alegria... e mesmo aqueles sentimentos que ainda são difíceis de nomear, pode ficar a vontade e deixar que eles venha a tona do jeito que for necessário.


  1. Falar palavrão

Claro que mantemos o respeito, mas se os palavrões aparecerem na sessão de análise, eles são palavras como quaisquer outras, aqui não vai existir nenhum tipo de julgamento ou censura. Seja um xingamento pontual (há quem diga que palavrão é adverbio de intensidade) ou se eles fazem parte do teu vocabulário cotidiano, pode ficar a vontade pra falar livremente.


  1. Esquecer o que ia dizer

Por falar em censura, outra coisa que é muito normal acontecer é esquecer o que ia dizer. Num segundo tu tinha a frase na cabeça e no instante seguinte sumiu e só fica um branco total. Isso não só é normal e como é interessante pro processo de análise, pois é sinal de que o que está sendo trabalhado é tão importante a ponto do mecanismo de defesa que Freud chamava de recalque precisar trabalhar: é ele que te faz esquecer. Caso consiga lembrar, ótimo, e caso contrário não tem motivo pra preocupação, pois vai voltar na hora certa.


  1. Não saber a resposta de alguma pergunta

Em uma sessão surgem muitos questionamentos, alguns deles tu imediatamente vai ter uma resposta e outros vai pensar e construir uma na hora da sessão. Mas tem um terceiro tipo de questionamento que surge no processo de análise que é até interessante que não seja respondida de imediato, para que tu tenha o tempo necessário de elaborar sobre elas. Portanto, não precisa sentir que é uma obrigação: nem saber todas as respostas nem responder todas as perguntas.

(Falar em "obrigação" no contexto de uma análise é até um pouco cômico, a única regra em psicanálise é a da associação livre.)


  1. Contar a mesma coisa várias vezes

Muitas cenas que vivemos nos marcam de formas que não temos consciencia, mas ressoam em nós a partir do inconsciente. Cada vez que voltamos a essas cenas temos uma nova chance de visitar e criar nossa história, e com isso abrimos a possibilidade de elaborar ela de outras maneiras. Seja quando contamos novamente a mesma coisa ou na percepção que muita gente tem que 'já sabe o que incomoda e o que precisa fazer', mas na prática se vê repetindo os mesmos velhos hábitos sem conseguir mudar.


Tem um texto do pai da Psicanálise, Sigmund Freud, chamado Recordar, repetir e elaborar que fala justamente sobre isso. Repetir a mesma história (e até a mesma situação) diversas vezes ao longo do processo de uma análise não é um problema, antes o contrário: é aí que mora a possibilidade de dar novos contornos de elaboração na experiência para aquilo que foi racionalmente percebido nos insights.

"Não esquecemos que o ser humano na verdade só aprende com os erros que comete e através da experiência própria. (...) Precisamos dar tempo ao paciente, para que ele se aprofunde na resistência que até então lhe era desconhecida, para elaborá-la, superá-la, na medida em que ele, a ela resistindo, continua o trabalho de acordo com a regra analítica fundamental." Freud, 1914

  1. Contar algo que tu nunca contou antes

Outra coisa que faz parte do processo e que surpreende muitos de meus pacientes é se perceber contando coisas que nunca tinha dito a mais ninguém. Desde pensamentos á situações que viveu. E isso vale tanto para as coisas muito sérias - que socialmente seriam entendidas como pesadas demais pra trazer a uma conversa; coisas muito íntimas que tu não falaria pra mais ninguém e também coisas aparentemente banais e sem importancia.


Eu garanto que se qualquer uma delas aparecer na tua fala no dia da sessão é por não serem tão irrelevantes assim. Provavelmente teve alguma coisa ali que amarrou em outra que é significativa, então não hesite em falar a vontade.


E lembre-se: se qualquer situação dessas surgir em uma sessão, elas são parte do processo de uma análise!


Se quiser ver esse conteúdo em vídeo, tem no meu instagram:

  • mulher falando coisas normais na sessão de análise
  • psicologa falando coisas normais da sessão de terapia
  • psicanalista falando coisas normais em sessão de análise

 
 
 

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