O medo de julgamento está roubando seu tempo
- Eduarda Paz

- 22 de abr.
- 3 min de leitura
Entenda o peso invisível de seus medos, e como ele toma decisões por você o tempo inteiro
"Se eu falar isso vão rir de mim"
"Se eu for a primeira a sair vão pensar que eu não queria ter vindo"
"Se eu disser o que penso vou magoar ele"
"Se eu demorar demais nem vale a pena fazer"
"Acho que vou esperar até amanhã pra isso"
"Não vou mandar mensagem primeiro"
"Vou parecer emocionada"
"Não sei se vai dar certo, é a primeira vez que tento fazer isso"
"Eu não sei fazer isso"
"O que é que vão pensar?"
Alguma frase dessas te soa familiar? O medo de julgamento é algo comum na vida de muitas pessoas, e origem de um peso invisível que vai muito além do que parece a primeira vista. Uma leitura recente me fez pensar em quantas coisas a gente deixa de fazer ao longo de um dia por não saber exatamente o resultado. Por criar cenários hipotéticos na cabeça, que além de expectativas, também nos enchem de receios e medos que consomem o tempo que poderíamos fazer... outra coisa.
Às vezes a pessoa ia pensar besteira de qualquer forma, às vezes ela ia rir mesmo, ou então não ia pensar nada porque tu não era tão importante assim naquele contexto. Ou ainda (podemos ser otimistas de vez em quando) o teu jeito autêntico de ser - esse mesmo que tu chama de "errado" - era exatamente o que ia cativar alguém, e aproximar vocês.
A verdade difícil de engolir é que a gente não sabe! Não por falta de inteligência, preparação ou planejamento, e sim porque ninguém é capaz de saber o resultado antes de ele acontecer, não importa quantas variáveis sejamos capaz de considerar nem o quão complexo for nosso cálculo de probabilidades.
Todos nós, em alguma medida, sentimos medo. Desde criança aprendemos que nossas ações podem ter consequencias. Percebemos que nossos pais ou cuidadores gostam muito de alguns de nossos comportamentos, e nem tanto assim de outros, pouco a pouco vamos construindo um repertório que nos guia de forma silenciosa sobre o que fazer e o que evitar.
"Cada um de nós está condicionado e preso num sistema que não consegue ver, mas cujos efeitos são sufocantes e ensurdecedores. Estamos tão acostumados a agir a partir dessa estrutura que somente quando tentamos nos libertar sentimos até que ponto temos sido controlados." Elise Loehnen, no livro Bem Comportadas
Nem sempre os medos aparecem de forma óbvia: algumas vezes eles aparecem como uma vergonha sem explicação, uma hesitação que parece irracional diante de algo; em outras parece que a melhor opção era "aquela" e não "outra" -- e evitamos pensar nessa "outra" por conta do medo que nem notamos que estava presente! De repente vem a trava, o bloqueio que parece sem sentido.
Já ouviu dizer que mesmo que os dias passem lentos, os anos voam?
Pode ser que o medo de julgamento esteja oculto em tantas camadas que seja preciso uma pausa e um olhar mais atentos para identificar todas elas.
Pare para refletir quanto tempo seus medos consomem de sua rotina, e de cada um de seus dias. Quantas de suas escolhas são feitas ou eliminadas por conta dele? No somatório de dias, quantos anos será que se você já viveu na base no medo?
Nem todo medo vale a pena o tempo que a gente investe pensando nele, e para poder escolher de que forma usar nosso tempo, é primeiro preciso identificarmos de onde veio esse peso invisível que originou nossos medos, e quais deles podemos ultrapassar.

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